Lições das fortalezas da Ilha de Santa Catarina

fortalezaEm janeiro de 2007, participei de um passeio de scuna com minha família, em Florianópolis, um programa de férias que recomendamos. O barco saiu da Beira-Mar Norte da Ilha de Santa Catarina e seguiu até a Ilha de Anhatomirim, passando pela Fortaleza de Santo Antônio de Ratones, com uma curta parada em Governador Celso Ramos, para o almoço. Minhas filhas gostaram muito do banho de mar, da aproximação dos botos no trajeto de volta e de estar com os avós. Para mim, o que mais chamou a atenção no passeio foi a visita às fortalezas restauradas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

De acordo com informações do site da UFSC, o Projeto Fortalezas da Ilha de Santa Catarina foi criado pela Universidade Federal com o objetivo de restaurar e revitalizar as fortificações construídas pelos portugueses no século 18 para proteger a Ilha de Santa Catarina. Hoje estão totalmente restauradas as fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim (1739 – Ilha de Anhatomirim), São José da Ponta Grossa (1740 – Ilha de Santa Catarina) e a de Santo Antônio de Ratones (1740 – Ilha de Ratones Grande). As três fortificações ficam abertas à visitação durante o ano todo. O visitante, além de ter contato com os prédios históricos tombados em 1938, pode visitar dezenas de exposições e ter contato com a flora, fauna e as belezas naturais da Baía Norte da Ilha de Santa Catarina.

A Fortaleza de Santo Antônio de Ratones constituía o terceiro vértice do “triângulo de fogo” idealizado pelo Brigadeiro Silva Paes. Teve o início de sua construção em 1740 e foi concluída em quatro anos. Seus principais edifícios foram construídos numa linha de um único terraplano, guarnecidos pela encosta e voltados para o mar. As edificações mais significativas são a Portada, a Fonte D’Água e o Aqueduto. Além de seu expressivo acervo arquitetônico, a Ilha de Ratones Grande apresenta paisagem natural exuberante, formada por mata atlântica. Além disso, a ilha tem uma trilha destinada à prática do turismo ecológico e educação ambiental.

A Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim está localizada na Ilha de Anhatomirim, área de jurisdição do município de Governador Celso Ramos. Estrategicamente situada na entrada da Baía Norte, a Fortaleza de Santa Cruz configurava outro dos vértices do sistema triangular de defesa. Sua construção teve início em 1739 e foi concluída cinco anos mais tarde. A arquitetura tem traços de influência renascentista. Fica em uma ilha com espessas muralhas e seus edifícios se distribuem de maneira esparsa em diferentes níveis. A maioria dos materiais utilizados na sua construção é da própria região (como a argamassa feita com óleo de baleia), com exceção dos elementos de cantaria e do “lioz” – espécie de mármore português utilizado nas soleiras das portas, escadarias e algumas bases dos canhões.

Entre os edifícios mais significativos da fortaleza estão a Portada de influência oriental, cujo acesso se dá por meio de uma escada de lioz; a Casa do Comandante, espécie de sobrado bastante comum nas casas da administração do Brasil Colônia (essa casa foi a primeira sede do Governo de Santa Catarina, onde residiu Silva Paes); e o Quartel da Tropa, construção de grande destaque que representa o auge da imponência das obras de Silva Paes. Segundo o site da UFSC, o estilo clássico, determinado por contornos retos, telhas coloniais e doze arcadas térreas apresenta tal apuro de proporções e detalhes, que raramente deixava de ser mencionado por viajantes europeus em seus diários.

Historicamente, a Fortaleza de Santa Cruz não foi utilizada do ponto de vista bélico nem mesmo durante a invasão espanhola de 1777. Após esse episódio, o sistema entrou em descrédito e passou a ser progressivamente abandonado. Em 1884, durante a Revolução Federalista, serviu de prisão e base de fuzilamentos de revoltosos contra o governo de Floriano Peixoto. No ano de 1907, passou a pertencer ao Ministério da Marinha e voltou a ser utilizado como prisão em 1932, no desfecho da Revolução Constitucionalista. Funcionou como base até o fim da Segunda Guerra Mundial, quando apareceram novas tecnologias bélicas, tornando-o obsoleto como unidade militar. Foi desativado, mas a Marinha manteve vigilância até a década de 1960. A partir desse ano, as fortalezas foram abandonadas e depredadas.

Em 1979, a UFSC fez um convênio com o Ministério da Marinha e assumiu a guarda e tutela da Fortificação de Santa Cruz e começou o processo para restauração das ruínas históricas. Em 1984, foi possível a reabertura para visitação pública, mas somente em 1991 o “Projeto Fortalezas” conseguiu concretizar a restauração completa da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim.

O passeio pelas fortalezas realmente valeu a pena. São paisagens e construções belíssimas. Sem falar na verdadeira aula de História ministrada pela excelente guia turística que nos acompanhava. Enquanto ouvia as explicações dela, um fato cômico me fez pensar num profundo ensinamento de Jesus, registrado em Lucas, capítulo 14.

A fortaleza de Anhatomirim, na verdade, nunca foi usada para defesa por um erro grosseiro de Silva Paes: as pontas do triângulo de defesa estão separadas por quatro a seis quilômetros; mas os canhões da época só conseguiam lançar projéteis a cerca de meio quilômetro de distância! Quanta falta fez um planejamento mais apurado. Tanto esforço e dinheiro gastos para nada…

Isso nos faz pensar na importância de se planejar a vida de forma correta, para que não sejam desperdiçados esforços na busca dos objetivos a que nos propomos. Por que não começar aquele curso há tanto adiado e que será útil para sua carreira? Por que não dedicar mais tempo para a família? E aquele bom livro que o aguarda na estante, por que não iniciar a leitura agora? E, mais importante do que tudo isso: por que não iniciar ou aprofundar um relacionamento significativo com Deus?

Na vida cristã também existe um “triângulo de defesa”: a leitura da Bíblia, a oração e o testemunho. Só que, diferentemente do triângulo de Silva Paes, este é infalível!

“Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la? Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar” (Lucas 14:28, 29, NVI).

“Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção” (Salmo 127:1, NVI).

Michelson Borges

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