A bela Penedo e a romântica casa de pedras

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Penedo: uma cidade que começou sendo colônia finlandesa e que até hoje carrega resquícios disso. Uma cidade pequena e rústica, localizada entre montanhas. Mas é bem movimentada e visitada. O centro lembra um pouco Gramado, no Rio Grande do Sul. Com lojinhas e restaurantes com telhados em forma de “v” de cabeça para baixo. É uma típica cidade “finlandesa”.

Penedo é conhecida como a cidade das trutas e do chocolate. E os chocolates de lá são deliciosos, de todo o tipo que você imaginar. Como fui perto do Natal, a cidade estava ainda mais linda, decorada com luzes e guirlandas. A “vila” turística, que é composta por casinhas antigas em estilo finlandês – que na verdade são lojas de roupas, chocolate ou de lembrancinhas –, nos faz praticamente voltar no tempo.

Apesar de ser uma cidade rústica e antiga, é bem agitada. Encontrar um lugar para estacionar é uma tarefa praticamente impossível. Mas Penedo dispõe de pousadas bem tranquilas. Possui um clima agradável e é também uma reserva florestal com uma flora encantadora.

A cidade foi fundada por imigrantes finlandeses. Toivo Uuskallio, o fundador da Colônia Finlandesa de Penedo, conta em seu livro Na Viagem em Direção à Magia do Trópico, que recebeu um chamado para deixar sua terra natal e emigrar para o Sul. Esse chamado chegou de forma misteriosa, à noite, e sem emissário aparente. O chamado era muito forte. E, assim, em meados de 1927, embarcaram para o Brasil, Toivo e mais três rapazes, que compartilhavam de seus ideais.

Eles pretendiam viver no longínquo Sul, onde o clima permitia uma vida mais natural, recebendo os benefícios dos raios solares. Também fazia parte de seu programa de vida a alimentação vegetariana e a abstenção de bebidas alcoólicas, chá e café.

Toivo começou a construir com pedras do riacho uma casa que ele chamava de “castelo para sua amada”. Durante 14 anos, construiu a casa com pedras e seixos retirados do riacho.

Toivo casou-se com sua amada e a trouxe para o Brasil. Porém, a moça não acostumada com o clima e a cultura do Brasil, ficou assustada e quis retornar para a Finlândia.

Ainda enquanto construía a casa, Toivo teve contato com um material da Igreja Adventista por meio de um colportor (vendedor de livros religiosos). Ele e mais alguns imigrantes foram depois batizados e se tornaram fieis adventistas.

Hoje a casa de pedras construída por Toivo pertence ao Centro Adventista de Recreação e Treinamento (Catre) de Penedo. Dá para tirar belas fotos na frente da casa que fica à beira da estrada.

Um viagem encantadora e cheia de cultura.

Giovanna Borges

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Com meu irmãozinho na casa de pedras
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A casa da amada de Toivo
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Centro Adventista de Treinamento e Recreação
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Passeando em Penedo
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Colonização finlandeza
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Tudo muito bonitinho
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Joulupukin piste?
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O Diário de Anne Frank

anne frankA Segunda Guerra Mundial é o um assunto pelo qual tenho muito interesse. Então, acho que nem preciso dizer que adorei O Diário de Anne Frank.

Anne Frank, filha de pais judeus, nasceu na Alemanha e passou parte da infância lá. Mas quando o nazismo começou a ser implantado em sua terra natal, Anne e sua família se mudaram para a Holanda.

O nazismo demorou um pouco para chegar à Holanda, mas, com a guerra, a política de Hitler logo se espalhou por toda a Europa. Anne tinha 13 anos, estudava em uma escola para judeus, tinha uma melhor amiga judia, e por mais que estivesse um tanto isolada das pessoas de outras etnias, ela era feliz e levava uma vida normal, o quanto fosse possível.

Porém, começaram a chegar convocações para que alguns judeus fossem trabalhar em campos de concentração. Era só uma questão de tempo até que todos fossem levados. A irmã de Anne, Margot Frank, recebeu uma convocação. Para salvar a filha, os pais de Anne decidiram procurar um abrigo para se esconder. O anexo secreto.

A família Frank se escondeu com o Dr. Dussel, e com a família Van Dan. Em palavras simples, a garota narra a rotina dessa pequena comunidade durante o período em que ficaram escondidos no porão do gabinete em que seu pai trabalhara.

No anexo, às vezes ocorriam episódios engraçados, outros de grande tensão. Mas o legal desse livro é que ele apresenta a guerra de uma forma diferente: através dos olhos de uma adolescente.

Tanto para adolescentes como para adultos, o livro traz cultura de uma forma divertida e simples. Nos identificamos com Anne e passamos a torcer por ela. Ao mesmo tempo em que aprendemos mais sobre a Segunda Guerra Mundial. Um dos meus favoritos. Espero que você também aproveite O Diário de Anne Frank, e continue culturando!

Giovanna Borges

Praias, buggy, lagoas, diversão e cultura: culturando em Natal

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Se optar por viajar pra lá no verão, pode se preparar para “um Sol para cada pessoa”. Mas isso não é problema: protetor solar e muita praia é a solução. E lá, praia é o que não falta! As mais famosas são Pipa e Ponta Negra. Há também a Praia dos Artistas, chamada assim, pois, uns anos atrás, artistas famosos frequentavam essa praia, se hospedando no que hoje é um hotel abandonado de frente para o mar. Tem a praia do Cotovelo, praia do Genipabu, Maracajaú, Jaracumã e muitas outras.

Há ainda as lagoas de Natal, que são quase tão frequentadas quanto as praias. E, em minha opinião, não perdem em nada para elas. As lagoas de Natal são maravilhosas para banho! Também são um belo cartão postal, quase tão bonitas quanto as praias.

Com tantas opções, por onde começar? Independentemente da praia ou da lagoa que for a escolhida, uma coisa que não pode ser deixada de lado é o passeio de buggy. Posso dizer que foi o passeio mais divertido que fiz nessa terra maravilhosa.

Saindo do hotel em um buggy (o meu era rosa choque!), fomos passear nas dunas de areia. A vista lá de cima é linda! No litoral norte, passamos pela praia de Genipabu, famosa justamente por conta das dunas e dos passeios de buggy. Passamos também por três lagoas no trajeto. Todas maravilhosas! A primeira, lagoa de Pitangui, é para banho. Também havia uma tirolesa, mas não recomendo gastar dinheiro com a primeira, já que a segunda, na próxima lagoa, é bem maior e mais emocionante.

Saímos dali, viajamos mais um trecho e passamos por uma balsa para atravessar um rio. As dunas do outro lado são altas e branquinhas. Você se sente em um verdadeiro deserto! Optamos por não pagar por isso, mas caso queira, pode até fazer um passeio de dromedário. É como se estivéssemos num filme bíblico. Aliás, algumas cenas de novelas foram gravadas ali. Dá pra fazer belas fotos! A vontade é de sair rolando… Mas pra não ficar que nem uma coxinha empanada, me contentei em apenas caminhar por ali.

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Meu pai brincando de camelo com meu irmão

O passeio “com emoção” é muito divertido, mas para os mais fracos de estômago, o melhor é “sem emoção”, que também pode ser bem divertido. Seja qual for a pedida, é altamente recomendável óculos escuros. Não apenas por causa do sol, mas principalmente pela areia que entra nos olhos. Protetor solar é indispensável. Água nunca é demais! Tanto para tomar, quanto pra lavar os olhos, e o que mais você não quiser que fique cheio de areia.

Na segunda lagoa, as atrações são fantásticas! Mesmo quem não sabe nadar pode se divertir e dar bons gritos no escorrega e nas tirolesas. Vale a pena gastar algum dinheiro por um pouco de adrenalina e diversão. Afinal, como dizem os vendedores, você não vai até Natal só pra ficar olhando!

Mas se quiser passear sem depender de um buggy, também dá. A praia que visitei em Natal é linda e boa pra banho. Há uma barreira de pedras que forma uma piscina natural segura e deslumbrante. Praia de Camurupim, no litoral sul, é ótima para famílias.

No caminho para a praia de Camurupim, passamos pelo Centro de Lançamento da Barreira do Inferno. É uma base da Força Aérea Brasileira para lançamento de foguetes. Criada em 1965, foi a primeira base aérea de foguetes da América do Sul. Está situada na Rota do Sol, no município de Parnamirim, a 12 km de Natal. Nela acontecem operações de lançamento de foguetes de pequeno e de médio porte. A instalação trouxe a Natal o título de “Capital espacial do Brasil”.

Caso esteja procurando uma praia badalada, Ponta Negra pode ser sua escolha – a mais famosa e frequentada de Natal. Tem barracas no calçadão e um mar que convida banhistas, surfistas, adeptos do windsurf e do kitesurf, além do pessoal que pratica stand-up paddle. A marca registrada de Ponta Negra é o Morro do Careca, uma duna de 120 metros de altura cercada por vegetação, com acesso fechado.

Fizemos uma passagem rápida pela praia de Cotovelo, famosa por abrigar golfinhos em suas águas. Infelizmente, não conseguimos vê-los, mas vale a pena arriscar a sorte. Apesar de não termos visto os golfinhos, vimos uma bela praia com falésias; a água azul refletindo o céu bate em pedras para se desfazer em espuma na areia. Vimos também uma grande tartaruga marinha passeando pelas ondas.

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Minha mãe capa de revista!

Recomendo que conheça ao menos uma lagoa de Natal. Passamos pela lagoa Arituba, ideal para banhistas e fãs do stand-up paddle.

Próximo dessa lagoa está o maior cajueiro do mundo! Esse é parada obrigatória. Antes de entrar no cajueiro, há uma feirinha onde se podem comprar lembrancinhas de Natal e do cajueiro.

E que cajueiro! Uma mutação fez com que a árvore crescesse para cima, voltasse, tocasse o chão, criasse raízes, crescesse novamente para cima, e assim por diante. Parece uma floresta de cajueiros, mas colheram o DNA de todas as ramificações, e todas pertencem à mesma matriz. Do mirante é possível ter uma noção do tamanho da árvore que ainda não parou de crescer! A luz entra por entre as folhas do cajueiro em diferentes tonalidades de verde. Em alguns pontos, encontra algumas fendas nas copas das árvores e entra com vigor. Em outros pontos, a sombra das árvores cobre o chão. É encantador!

E bom mesmo é a comida! Adorei as tapiocas e o açaí. No Açaí do Joca, um dos mais famosos da cidade, comi uma deliciosa tapioca de queijo e uma taça de açaí com banana. No Açaí do Joca, o açaí self-service. Um restaurante famoso na região é o Mangai. Você fica até perdido com tantas opções! E para os vegetarianos, como eu, também há bastante opção.

Passamos várias vezes pela Ponte Newton Navarro. Ela liga os bairros da Zona Norte de Natal e os municípios do litoral norte do estado aos bairros da Zona Leste e do litoral sul, além de outras regiões da cidade, passando por cima do Rio Potengi. Devido à sua altura e imponência, logo virou atração turística. De cima da ponte conseguimos ver o Forte dos Reis Magos. Em formato de estrela, a fortaleza foi construída pelos colonizadores portugueses em 1598, próximo do encontro do Oceano Atlântico com o Rio Potengi.

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Enquanto esperamos pelo voo, meu irmão passa o tempo desenhando

Em Natal, também não deixe de passar pela feira de artesanato de Ponta Negra. O antigo presídio que agora recebe muitos turistas tem as mais diversas roupas e objetos à venda. Camisetas estampadas, lisas, com dizeres de Natal ou não. Saídas de praia maravilhosas, bolsas, bolsinhas, toalhas de mesa, joguinhos americanos, garrafinhas de areia, chaveiros, artesanatos locais e ainda mais coisas! O conselho é comparar os preços porque às vezes a diferença é grande! E pechinchar – eles quase sempre abaixam um pouco o preço.

Foi essa a minha experiência em Natal. Espero que você tenha uma boa experiência nessa terra de praia e calor também! Eu te espero na próxima postagem!

Giovanna Borges

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Prontos para um emocionante passeio de buggy
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A vista, o vento, tudo maravilhoso!
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A imagem diz tudo!
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Arábia? Não, Natal!
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Entre o céu e a areia
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Na imensidão das dunas
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Travessia de balsa
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Aguardando para embarcar na balsa movida a um remador
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Descendo as dunas “com emoção”
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Lagoa do Pitangui
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Vida boa a do meu irmão…
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Centro de Lançamento da Barreira do Inferno
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O maior cajueiro do mundo
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A árvore realmente impressiona
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Saiba um pouco mais sobre essa planta espetacular
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Lagoa Arituba
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Lagoa Arituba
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As falésias da praia do Cotovelo (pena que os golfinhos não apareceram)
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Praia de Camurupim
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Praia de Ponta Negra
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Ponte Newton Navarro
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Forte dos Reis Magos
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Vale a pena dar uma olhadinha
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Conferindo o artesanato local
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O centro cultural que já foi prisão